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Refugiados, um bom negócio

Escrito por master.

RefugiadosOs desastres humanitários não são catastróficos para todos. Escritórios de auditoria, vendedores de cartões de débito ou grandes fabricantes de móveis: assim que um campo é aberto, empresas correm em direção a uma “indústria da ajuda”, cujo volume anual ultrapassa 25 bilhões de euros

Por: Nicolas Autherman
diplomatique.org.br/

Como em todos os salões internacionais, os estandes estão cobertos de cartazes com cores vivas, fotografias atraentes e recepcionistas bem vestidas. Homens elegantes de terno trocam ostensivamente seus cartões de visita. Entre os displays, grandes maquetes de contêineres com design impecável; cidades em miniatura nas quais reinam a ordem e a limpeza. “Posso lhe enviar todas as informações a respeito de nossos campos. Mineiros, petrolíferos, militares ou de refugiados: como quiser”, anuncia orgulhosamente Clara Labarta, representante da empresa de logística espanhola Arpa, a um homem que se diz simplesmente enviado de um “governo africano”. Atrás de seu estande, uma grande fotografia de um campo de base que reúne diversos tipos de barracas e helicópteros. “Trabalhamos sobretudo como fornecedores de equipamentos militares para o Ministério da Defesa espanhol, mas estamos aqui para entender o mercado humanitário. É um mercado muito complexo, com todo tipo de agência”, prossegue.

Uma estrela chamada Clarice Lispector

Escrito por master.

ClariceApelidada na França de “princesa da língua portuguesa”, Clarice Lispector escrevia como se pudesse salvar a vida de uma pessoa e aproximá-la da beleza silenciosa do mundo. Grande figura da literatura brasileira, por muito tempo permaneceu desconhecida na França. A recente publicação de suas cartas deve contribuir para sua difusão

Por: Sébastien Lapaque
diplomatique.org.br/
Crédito da Imagem: Sandra Javera

Comecemos pelo fim. Dois volumes de correspondências publicados no Brasil, ambos traduzidos entre 2015 e 2016 para o francês,1 permitiram aos admiradores de Clarice Lispector se aproximar intimamente da romancista intangível nascida Chaya Pinkhasovna Lispector, no dia 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, Ucrânia. Desembarcada no Nordeste brasileiro aos 2 anos de idade com seus pais para fugir da guerra civil, ela morreu no dia 9 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro. Na França, onde foi descoberta em 1954,2 as quinze obras de ficção publicadas a partir de 1978 pelas edições Des Femmes/Antoinette Fouque não foram capazes de provocar tal familiaridade com essa artista cuja obra evoca Franz Kafka pela angústia e Virginia Woolf pelo refinamento – e a personalidade de algumas das mais misteriosas estrelas da literatura universal, como Katherine Mansfield, Catherine Pozzi, Victoria Ocampo, Simone Weil e Sylvia Plath. O sorriso de “meia satisfação” – como ela descreve o de uma personagem – estampado em suas fotografias guardam intacto seu segredo. Desde Perto do coração selvagem, seu primeiro romance, aos 23 anos, até A hora da estrela, póstumo, cada um de seus livros parece ter sido escrito para construir um muro protetor entre ela e o mundo. Alguns julgaram hermético esse monumento de sensações sutis. A artista se defende, afirmando que ela era tão simples como Bach…

Pouco tempo para evitar a grande barbárie

Escrito por master.

CaosO capitalismo está em crise global, mas os atores que poderiam oferecer uma alternativa parecem enfraquecidos e dispersos. Rosa Luxemburgo e Marcuse serão capazes de insinuar uma saída?

Por Eduardo Mancuso | Imagem: Otto Dix, Tropas de choque avançam sob gás (1924)
http://outraspalavras.net/

I.

Há pouco mais de uma década ainda se falava de um mundo unipolar. O colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria, no início dos anos 1990, haviam dado o domínio absoluto da globalização capitalista e da geopolítica mundial aos EUA, como única superpotência existente. A grande preocupação das potências ocidentais era com o acelerado crescimento econômico global da China, já que a Rússia, isolada pelo avanço e cerco da OTAN em sua antiga área de influência do Leste Europeu, ainda se recuperava da transição selvagem ao capitalismo conduzido pelo FMI, e da crise financeira de 1998.

O programa secreto do capitalismo totalitário

Escrito por master.

Ricos e totalitáriosComo Charles Koch e outros bilionários financiaram, nas sombras, um projeto político que implica devastar o serviço público e o bem comum, para estabelecer a “liberdade total” do 1% mais rico

Por George Monbiot | Tradução: Antonio Martins
http://outraspalavras.net/

É o capítulo que faltava, uma chave para entender a política dos últimos cinquenta anos. Ler o novo livro de Nancy MacLean,Democracy in Chains: the deep history of the radical right’s stealth plan for America [“Democracia Aprisionada: a história profunda do plano oculto da direita para a América] é enxergar o que antes permanecia invisível.

O trabalho da professora de História começou por acidente. Em 2013, ela deparou-se com uma casa de madeira abandonada no campus da Universidade George Mason, em Virgínia (EUA). O lugar estava repleto com os arquivos desorganizados de um homem que havia morrido naquele ano, e cujo nome é provavelmente pouco familiar a você: James McGill Buchanan. Ela conta que a primeira coisa que despertou sua atenção foi uma pilha de cartas confidenciais relativas a milhões de dólares transferidos para a universidade pelo bilionário Charles Koch1.

IGREJA LUTERANA - Martinho Lutero como a escola nunca ensinou: antilatino e antissemita

Escrito por master.

LuteroExCelebrações do 5º centenário do cisma luterano evitam aspectos obscuros do legado de Lutero.
O manto religioso encobre um conflito político e nacionalista

Foto: Instalação do artista alemão Ottmar Hörl feita com 800 imagens de Martinho Lutero e exposta na cidade alemã de Wittenberg em agosto de 2010. AFP / GETTY IMAGES)

MARÍA ELVIRA ROCA BAREA*
https://brasil.elpais.com/

Diz a lenda que, em 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546), escandalizado com o vergonhoso espetáculo que a Igreja Católica oferecia e indignado com a venda de indulgências, pregou nas portas da igreja de Wittenberg as 95 teses que desafiavam o poder de Roma. O aniversário de 500 anos desse gesto está sendo celebrado com pompa na Alemanha. Merkel Obama prestaram homenagem a Lutero em 25 de maio no Portão de Brandemburgo e, por volta da mesma data, foi inaugurada uma espetacular exposição em Wittenberg. Esses são só alguns dos eventos mais destacados. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os aniversários luteranos (nascimento, morte, 95 teses, iluminação divina durante a tempestade de 1505…) quase não tinham relevância. Mas agora isso mudou. Por quê?